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Livro reúne 28 contos de Dostoievski, alguns deles inéditos no Brasil

Por Ubiratan Brasil,  O Estado de S. Paulo* Se a obra do escritor francês Honoré Balzac consiste em um mosaico de pequenos mundos ao retratar as diversas camadas da sociedade, o russo Fiodor Dostoievski (1821-1881) mirou a intimidade e desvendou como nenhum outro a alma humana. “Dostoievski é tão grande”, escreveu o filósofo Nikolai Berdiaev, “que por si só basta para justificar a existência do povo russo.” Romancista-filósofo por excelência, ele talhou uma literatura que trata dos grandes problemas humanos, tornando-se o símbolo de um monumento à consciência. Antecipando Kafka e também tecendo a teia de toda uma literatura que passou por Machado de Assis e chegou a Albert Camus e Samuel Beckett, Dostoievski influenciou autores de todos os idiomas com obras como   Crime e Castigo ,   O Idiota   e   Os Irmãos Karamazov.   E não foi apenas nos romances que o russo disseminou imagens que projetam a desumanização do homem – também os textos curtos despontam...

O menosprezo pela literatura

Só quem entende a importância da literatura é realmente quem a lê. Uma pessoa me disse que literatura era perda de tempo e, por isso, só lia livros técnicos. Quanta ignorância! É pela literatura que enxergamos diferentes formas de ver a vida, diferentes formas de expressão da língua e conhecemos até mesmo histórias verdadeiras (muitas vezes contadas nas entrelinhas). Pela literatura conhecemos como são e como eram as cidades, a vida cotidiana, a cultura e a geografia dos lugares, conseguimos desenvolver nossa comunicação, nossos pensamentos e nossa escrita. Os livros técnicos não chegam nem aos pés do que a literatura pode desenvolver na mente humana. Não se pode comparar, cada um tem sua finalidade. Literatura é arte, livro técnico não. Mas, o que esperar de um país que mal sabe o que é Arte? Onde seus habitantes confundem pichação com pintura e pornografia com música? Já fui à Rússia e voltei algumas vezes, mas isso foi em séculos passados. Conheci a cultura dos anos de 1800 da...

Duas narrativas fantásticas

Publicada pela primeira vez na revista mensal “Diário de um escritor”, em 1876, “A Dócil” relata o conturbado casamento entre uma jovem de 16 anos e o dono de casa de penhores na faixa de seus 40 anos. Considerada uma pobre moça, necessitada de tudo, a “dócil” mostra que toda doçura tem seu lado cruel e, ao mesmo tempo, inocente. Sem saber o real motivo de seu suicídio, o marido se torna refém de seus questionamentos sobre o que a levou à morte e acaba tendo algumas conclusões pela lembrança do olhar dela em determinadas conversas. A vontade de saber se a esposa o amava o não, se o desprezava ou não, se tudo era uma mentira ou não. Ele estava lá, parado, na frente do corpo da mulher que ele adorava quase que com veneração. Aquela mulher amável que chegou a apontar um revólver para sua cabeça enquanto dormia. Por quê? Havia um por quê? Gestos, olhares, situações, tudo o que há de mais corriqueiro Dostoiévski leva em consideração na história de seus personagens. Detalhes dos pens...

Os elefantes não esquecem

Hercule Poirot, instigado por uma famosa escritora de romance policial, Ariadne Oliver, desvenda o mistério por trás de uma tragédia que aconteceu em família e chocou a cidade. Cerca de 13 anos se passaram e, oficialmente, a polícia deu o caso por e encerrado concluindo duplo suicídio. Um casal apaixonado teria realmente feito pacto de morte? A senhora Oliver vai em busca de “elefantes”, já que eles “nunca esquecem”. Pessoas nunca esquecem, guardam em suas memórias vestígios de histórias, mesmo que sejam apenas especulações. Juntando as informações coletadas pela senhora Oliver, muito amiga do investigador belga Poirot, com as suas próprias investigações, chega-se a uma conclusão nada convencional. O interessante de se ler Agatha Christie é que não há nada irrelevante nos detalhes no decorrer da obra. Tudo é milimetricamente calculado pela autora e todos os detalhes acabam se encaixando no final da história. Com a maestria de uma experiente autora de romance policial, o lei...

Retomando leituras

Depois que passei a trabalhar em jornal, meus horários ficaram bem complicados e há cerca de dois anos não atualizo meu blog do jeito que gostaria. No entanto, estou começando a colocar as coisas em ordem e retomei as leituras. Em 2015, tentei ler ao menos dois livros, mas não consegui. Não cheguei nem à metade das obras. Este ano peguei no segundo semestre três livros. Estou tentando concluir ao menos dois, que são “Filosofia e Fé Cristã”, de Colin Brow, e “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, de Olavo de Carvalho. Colin Brown é professor de teologia sistemática no Fuller Theological Seminary, nos EUA, onde também ensina cristologia contemporânea. Autor de renome internacional, seus livros já foram traduzidos para o francês, português, romeno, italiano, coreano e chinês. “Filosofia e Fé Cristã”, editado pela Vida Nova, é um compêndio muito bem estruturado do pensamento filosófico desde o início da era cristã até os dias atuais e como a filosofia tem impac...

Breve, muito breve, relato de como descobri o que de fato é comunismo e por que não abraço a causa

Lembro-me quando questionei na Universidade por que é que nós nunca estudamos a cultura russa. A professora, doutora em Comunicação, respondeu apenas: “É uma questão política”. Bem, nunca estudei política no colégio. A única coisa que estudávamos era a parte histórica sobre a Revolução Russa, como todo bom estudante da década de 1990 e início dos anos 2000 sabe é só o superficial, como data, o que foi, como foi e o porquê. Nem, sequer, nunca tinha ouvido falar no assassinato da família Romanov. Então, comecei a ler sobre a cultura russa e pesquisar melhor sobre a Revolução Russa de 1917. Por um lado, descobri, com assombro, o que tinha sido a Revolução Bolchevique. Por outro lado, passei a admirar a cultura russa do século XIX e, principalmente, o autor russo Dostoiévski. Sim, claro, percebo o viés de “coitadismo” que meu autor russo preferido tem quando fala da parte pobre da Rússia. Antes que me confundam com um tipo de socialista, gostaria de deixar claro que meu pensamento é ...

Não consigo entender cristãos que se dizem comunistas

Por Renato Vagens Neste último final de semana participei no Rio Grande do Sul, como preletor de um Congresso Missionário organizado pela Igreja Irmãos Menonitas. Na ocasião tive a oportunidade de conhecer e conversar com um pastor otagenário, cuja família sofreu horrores nas mãos de Stalin.  De forma emocionante, meu novo amigo me contou as barbáries cometidas pelo ditador russo, bem como, a forma sangrenta com que milhares de cristãos menonitas foram mortos em nome do comunismo.  Pois é, ao ouvir sobre os tristes relatos de irmãos em Cristo que foram assassinados por esse maldito sistema fui tomado de grande emoção. Segundo o pastor quase 100 mil menonitas foram mortos ou levados para apodrecerem nas masmorras da Sibéria. À luz de histórias como essa, confesso que não consigo entender como é que cristãos podem se dizer comunistas.  Lamentavelmente tem sido comum encontrarmos nesse brasilzão de meu Deus, uma relativa quantidade de crentes em Jesus identi...