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Mostrando postagens com o rótulo Literatura

Assassinato no Expresso do Oriente

Hercule Poirot está diante do caso mais fascinante de sua história. O improvável homicídio dentro de um lotado vagão de trem sagrou a obra “Assassinato no Expresso do Oriente” como uma das mais emblemáticas da escritora inglesa Agatha Christie. Publicada pela primeira vez em 1934, a história começa num rigoroso inverno em Alepo, na Síria, onde vários turistas embarcavam em trens aos seus respectivos destinos.  Em uma época em que poucas pessoas viajam a turismo, o detetive Hercule Poirot estranhou a quantidade de pessoas naquele expresso. Havia gente de todas as classes sociais e de várias nacionalidades, incluindo um misterioso homem que, ao saber quem era o belga investigador, fez uma proposta para que o detetive pudesse descobrir quem estava querendo matá-lo. No entanto, Poirot não aceitou a proposta, principalmente por achar o tipo do homem um tanto perigoso. No vagão Istambul-Calais havia passageiros como uma princesa russa, velha americana, governanta inglesa, mul...

Duas narrativas fantásticas

Publicada pela primeira vez na revista mensal “Diário de um escritor”, em 1876, “A Dócil” relata o conturbado casamento entre uma jovem de 16 anos e o dono de casa de penhores na faixa de seus 40 anos. Considerada uma pobre moça, necessitada de tudo, a “dócil” mostra que toda doçura tem seu lado cruel e, ao mesmo tempo, inocente. Sem saber o real motivo de seu suicídio, o marido se torna refém de seus questionamentos sobre o que a levou à morte e acaba tendo algumas conclusões pela lembrança do olhar dela em determinadas conversas. A vontade de saber se a esposa o amava o não, se o desprezava ou não, se tudo era uma mentira ou não. Ele estava lá, parado, na frente do corpo da mulher que ele adorava quase que com veneração. Aquela mulher amável que chegou a apontar um revólver para sua cabeça enquanto dormia. Por quê? Havia um por quê? Gestos, olhares, situações, tudo o que há de mais corriqueiro Dostoiévski leva em consideração na história de seus personagens. Detalhes dos pens...

Crime e Castigo (com spoiler)

Preciosa obra escrita em 1866, por Fiódor Dostoiévski , Crime e Castigo retrata a história de um jovem ex-estudante que trabalhava com tradução para sobreviver. Pobre e distante da família, Raskólnikov morava de aluguel em um dos “cubículos” alugados pela velha Aliena Ivánovna, que tinha uma irmã mais nova a qual explorava. Sentindo-se oprimido por não ter condições financeiras de continuar alugando o apartamento, Raskólnikov ou Ródia, como era chamado por sua mãe, por dias arquitetou aniquilar aquilo que para ele era o que lhe causava opressão: a proprietária do apartamento. Desesperado, Raskólnikov resolve dar fim à vida da senhoria e acaba por matar também a irmã dela, que por “azar do destino” havia aparecido imediatamente depois do assassinato. Retratando todo o drama psicológico vivido pelo personagem principal, Dostoiévski expõe de maneira muito célebre o desespero da alma humana quando esta chega ao mais profundo poço do medo, da insegurança e da desconfiança. O ef...

Pais e Filhos

Pais e Filhos , uma das principais obras russas do século XIX, remete-nos à Rússia daquela época. Publicado pela primeira vez em 1862, o livro é carregado de caráter realista. A crítica ao romantismo e ao sentimentalismo é observada principalmente pelo personagem de Bazárov. A influência do atual sobre o antigo, o defasado, é bastante discutida ao longo deste romance, principal obra de Ivan Turguêniev . O niilismo ataca diretamente a aristocracia, os “bons costumes”, a autoridade, outrora alicerces da cultura russa. A religião, a crença em Deus, as reverências aos mais velhos e às tradições são colocadas constantemente em debate, o que ocorre entre os personagens jovens e os mais velhos, entre pais e filhos. A ciência como chave para o desenvolvimento, o materialismo versus espiritualismo são com frequência discutidos e, afinal de contas, nenhum dos pensamentos vence a discussão. O livro é riquíssimo em filosofia. A arte de excitar o questionamento e o incômodo no leito...

Nova antologia do conto russo

Fazia tempo que ansiava adquirir a Nova Antologia do Conto Russo , organizada por Bruno Barretto Gomide , até que acabei ganhando do meu noivo e grande foi a alegria! Na verdade, meu interesse por este livro da Editora 34 surgiu pelo fato de querer ler o conto Polzunkov, de Dostoiévski, já que estou assídua na leitura dos livros deste autor e não encontrava esta obra em nenhuma editora brasileira. No entanto, enorme foi a boa surpresa que recebi ao iniciar a leitura do livro.             O livro é uma compilação de vários contos de autores russos escritos entre 1792 e 1998. Comecei lendo o primeiro texto, o famoso conto de Karamzin, Pobre Liza , escrito em 1792 e citado por Dostoiévski em seu primeiro livro, Gente Pobre. Foi muito interessante o impacto de ler o conto citado pelo meu autor russo favorito em seu primeiro livro, mas que eu desconhecia o conteúdo. O texto é belíssimo e um dos contos mais famosos na Rússia, o...

O capote e outras histórias

Fui apresentada ao surpreendente Nikolai Gógol por acaso. Estava na livraria Saraiva em busca de algum novo livro de Dostoiévski para ler, entretanto, deparei-me com O capote e outras histórias de um autor que já sabia que era russo, mas nunca havia apreciado nenhuma de suas obras. Iniciei a leitura ainda na livraria e quase não consegui parar. O mundo de Gógol é completamente distinto do meu – muito embora em minhas imaginações coisas estranhas aconteçam de vez em quando. Fiquei estupefata com o final do conto “O capote” e sem palavras para descrever o que senti naquele momento. Nunca havia lido nada que me deixasse tão desconfortavelmente desconfiada da realidade como aquele conto. Contudo, o mais impressionante foi “O Nariz” que teimava em não retornar ao seu lugar de origem! Quanta imaginação Gógol teve! Interessante que em todos os contos o leitor consegue obter o sentido de cada história, de cada “bizarrice” – se assim podemos dizer – perpassada em todos os texto...